domingo, 15 de julho de 2007

Profecias

A propósito da entrevista de José Saramago ao DN assaltam-me duas dúvidas:

  1. A Capital da Ibéria onde seria? Madrid, Lisboa, Sevilha? Já agora, porque não Coimbra?

  2. Que regime iríamos ter? República, Monarquia? E que tal votarmos num Rei?

Seria um verdadeiro País do faz-de-conta.

Continua a escrever e deixa-te lá dessas coisas, tu já tens a tua União Ibérica com a capital em Lanzarote e o Rei dos Algarves como Presidente.

E convém não esquecer que somos o único povo da Península que deu a independência a Espanha....

6 comentários:

Anónimo disse...

Rei dos Alarves?

Anónimo disse...

eu gosto deste curtido. tem sentido de humor. mas monarquia só ser for com o nosso rei...este sim, uma inteligência!

gardel disse...

Caro Velho,

Mais uma vez realço a sua acutilancia, no sentido de nos mostrar factos estranhos e curiosos.
O meu amigo é de facto o nosso motor de busca.
Porque se terá dado ao trabalho de trazer à liça este senhor com cara de ET.?
Será que secretamente não deseja tal desidrato?
Será o hábito de lidar diáriamente com a língua castelhana?
Infelizmente, porque cansado das musicais andanças, não tenho pachorra para dislates deste calibre. Este senhor ou escreveu mais um dos seus incomestiveis romances ou esteve a recordar passagens em Guernika.
Está gagá, o velho.
Não voçê Velho, o velho Belimunda. O amigo está, como sabe, acima de qualquer suspeita.
Feliz por este breve reencontro, dedico-lhe com enorme amizade, bem do fundo do coração "A Portuguesa" de Portugal.
Abraço sentido do amigo
Carlos

P.S. - não discordo de tudo...

Velho Gosma disse...

Seja bem regressado, amigo Carlos.
Bem sei que não discorda de tudo, até porque o caro amigo é um amante do país de Cervantes.
Quanto a mim, eu não desejo nada disso, tão pouco secretamente. Como o meu amigo sabe eu não sofro de patrioteirismo mas Madrid nada me diz. As minhas simpatias (culturais) estão noutras capitais que não nesta. E penso, também, que no espaço comum que habitamos agora como europeísta convito que sou, este tipo de discussão é perfeitamente estéril. Nós somos uma Nação europeia, republicana, laica, independente e com uma história secular como tal não faz qualquer sentido perdermos a nossa identidade cultural e histórica a troco de um prato de lentilhas ou de um simples capricho de alguns de Vasconcelos que gostariam de construir a sua jangada.
Esta questiúncula fez-me pensar na História do Cerco de Lisboa, será que o revisor que coloca o não na História é o próprio Saramago?
Será que o desejo dele é que Lisboa tivesse sido, apenas, libertada pelos Reis Católicos? Eu acho que a Espanha é o seu Édipo.
Abraços meu cara amigo, despeço-me deixando-lhe o Hino da Europa, a 9.ª Sinfonia de Ludwig Van Beethoven.
O seu amigo
Gosma

Páris disse...

José Ortega y Gasset: Entre a Retórica Humanista e o Silêncio Cúmplice com a Barbárie

Ortega é considerado o mais influente filósofo espanhol do século XX. Em teoria combateu a massificação das pessoas e a desumanização da arte, mas na prática assumiu uma conduta cúmplice com a ditadura franquista (Espanha) e a salazarista (Portugal), mostrando-se indiferente à barbárie nos dois países.

Ortega viveu em Lisboa entre 1942 e 1955, sempre rodeado de fervorosos defensores da ditadura salazarista. No seu luxuoso apartamento na Avenida da República, enquanto escreve sobre as grandes ameaças do mundo moderno, ignora o mundo que está à sua volta. Logo após a IIª. Guerra Mundial numa entrevista ao director jornal italiano - IL Giornale - manifesta apenas uma única preocupação em relação a Portugal era se os portugueses conseguissem matar o ditador Salazar. Se este fosse morto, segundo Ortega, instalar-se-ia o caos no país. O melhor que a população portuguesa devia fazer, na opinião deste notável filósofo, era conformarem-se à barbárie.

Ao longo dos 13 anos que viveu em Portugal, período apenas interrompido por algumas estadias em Espanha, mostrou sempre de forma clara e ostensiva que desprezava tudo o que aqui acontecia no país: a luta do povo português contra a ditadura e a miséria. O seu desprezo era extensivo aos milhares de republicanos espanhóis exilados em Portugal. O seu drama não o incomodou. A única coisa que o preocupava era a protecção que lhe prestava o ditador Salazar. Nas suas visitas a Espanha, depois de 1946, Ortega procurou de forma sistemática o reconhecimento de outro ditador: Francisco Franco.

A razão da sua indiferença em relação a Portugal tem uma explicação muito simples: Ortega faz parte de uma geração de políticos e intelectuais espanhóis que impregnados de ideias totalitárias e xenófobas não concebem a existência de Portugal. A sua existência histórica é assumida como uma "anomalia", algo que não se encaixa num discurso unitário da Península Ibérica dominada pela Espanha. A "teimosia" dos portugueses em serem independentes é sentida como uma ameaça à sua unidade de um território que a Espanha se reclama como herdeira. É por isso que Ortega tendo vivido em Portugal durante 13 anos ignora a identidade cultural e histórica do país.

Esta concepção xenófoba muito difundida entre monárquicos, republicanos e depois falangistas espanhóis, teve uma terrível consequência política em Portugal: Ortega e outros intelectuais espanhóis, como estas atitudes, ajudaram a consolidar a ditadura salazarista, dado que esta se afirmava internamente como um bastião contra as ingerências externas, em particular contra as espanholas.

José disse...

Finalmente o regresso aos tempos áureos da monarquia. A capital seria Trancoso, é claro! Centro de la Iberia, ali se queda, con suyo castillo altanero!